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Naquela altura, estamos tão perto do palco que o som deixa de ser a harmonia entre os instrumentos. O ritmo não é mais ritmo, a música não é música. O que nocateia nossos ouvidos é um tsunami sonoro, um campo de força.

O barulho é tanto que vira rugido, quase silêncio. Um filme mudo. Não há espaço para delicadezas. Praticamente zero mulheres.

Todos pulam ao mesmo tempo, correm em círculo, acotovelando quem estiver à volta.

Não acho que seja violência em si. Se você já esteve em uma roda punk, sabe do que estou falando. Especialmente uma roda transgressiva no show do Queens of the Stone Age.

É uma rendição dos instintos, um retorno à condição tribal, em que somos mais animais do que humanos.

Celebrando a vida num ritmo frenético, entorpecidos pela bebida e pelos tambores.

Somos a tribo ancestral, conectados com os deuses num universo maluco, onde o estâse é permanente.

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Roberto Salvatore